Vivendo em casa

Permanente mentindo sobre o que disseram que se poderia fazer no banheiro: isso pode, isso não pode. Onde estão as escovas de dentes? Onde estão as pastas mágicas para barbebar? Onde está o chuveiro? É noite. A porta fica sempre aberta. Sempre apreceei a imanência dessa lâmpada branca: ela me faz ver no escuro o que eu só posso sentir em clarões. Vidência. A casa é o lugar onde todos os nossos devaneios acontecem, portanto, vamos deixá-los sair daqui, para ir para ali, sem lugar certo, sem lugar errado, sem objetivo. É só uma dança à luz de todas as outras que já existiram. Quero escovar os dentes mais tarde; talvez ficar encabulado ao lembrar que naquele lugar onde meus dentes fingem clarear e onde meus pés tocam as cerâmicas frias, já existiu isso.

Senti medo durante alguns momentos e por isso parei.

Existem mistérios dentro de todas as casas que seus habitadores não podem sequer pensar em querer explicar ou sequer realizar – fazemos parte de um contrato assinado entre locadores e locatários onde não há cláusulas quanto à coação de sentimentos – segredos entre lâmpadas e tomadas, cochichos entre ferrolhos e dobradiças ao zumbido de muriçocas e fantasmas.

Na verdade, gostaria de me tornar uma escada dentro de minha própria casa para trocar, lá do alto, insultos e juras de amor em uma parede semi-alta onde vivem mariposas mortas entre caroços cuspidos de acerola e ramos murchos de flores sem título.

a, terreiro, b,

E o que fica de estranho é este gosto de fé na garganta, este detergente doméstico vendido em gondolas metálicas… o que fica é este esforço inútil na busca da honesta presentificação da vida. E esta minha ânsia d tribunal tem alimentado apenas o meu drama. Enquanto o jogo da minha vida não se fizer eu não alcançarei minha trágica existência. Algo imenso se movimenta dentro de mim. r. fidelis

quem anda por aqui ja cavalga dentro de un bueiro há muito QridÔ! sim saberemos de onde vem a fome de ir roubar esses seus desejos de serem livres na cidade IDEAL?transvêm  da vontade de ter direitos de dizer q estamos aQUI, MESMO NO SUBCUTURNO DO SOLDADO QUE TE GUARDA?GUARDA?estamos aqui, vendendo votos pra miss caipira tenta roçar nossa facecucucla clã lã lallellilolu, so pra cantar um pouco e visitar o universo particular do sol da lua da luz do xá, do pão, quem tem pão vai à roma quem roi a roupa do rei de Roma romariio?e querer apenas estar semprew na cosinha na ruaq por aí numa esquina sorrindo pro jogo dos bixos  que correm solto por fora dentro fora dentro fora dentro fora (     0   <<<<<O)até que vem um e pooooooooooooooooooooooow PROibido !!!!! aqui não pode passar a  fome, some! então caro amikgo td quandotemos fome? o liquidificador bate tritura roi e eles querem suco? caminhemos e veremos se io salvador dali salva

MEXO – Me Estima Xperimentation Online

http://twitcam.livestream.com/user/icarogaya

Roteirobjeto y más

Depois de algumas semanas de aula recebemos a notícia de que teríamos que apresentar uma cena que seria construída a partir dos exercícios feitos em sala de aula: a coreografia casa-até-cama, o exercício da cadeira, os “causos” de família, a música-memória e o que fosse recortado e relembrado pelos alunos: estávamos livres para criar. Um ‘Frankstein’. No dia da apresentação nos instalaríamos na sala cada um com um espaço circular medido pelo raio de abertura dos braços de cada um (Carol teria que criar uma cena modesta). E ainda mais uma indicação: para a cena deveríamos pensar em uma base (chão), ou em um teto para demarcar nosso território no dia da mostra.

Wlad propôs que esquematizássemos a cena num “roteirobjeto”, que seria concebido e construído pelos alunos. O roteirobjeto foi proposto para nos ajudar a organizar nossas cenas num roteiro de ações, que de preferência deveriam ser móveis para trocarmos as ações de posição quando bem entendêssemos. Wlad acrescentou que deveríamos construir nossos roteirobjetos para deixá-los em cena como elemento cênico, para que o público talvez percebesse (ou não) as ações que estivéssemos executando através de uma leitura decifrada desse objeto.

A partir desta ideia de roteiro/frankstein/móvel/objeto pensei em algo que fosse interessante cenicamente e que também representasse uma ideia de trajeto: escolhi um tênis velho laranjado todo remendado: pra que procurar material quando já temos? Para a construção do roteiro usei papel-cartão reciclado, com as ações escritas em pedacinhos colados com chiclete na sola do tênis. Estava pronto meu roteiro objeto. A ideia de usar chicletes eu tirei de um fragmento da Adhara contando o causo: “Altos bombons”, e também para dar uma ideia dos fragmentos que grudaram na minha trajetória durante a disciplina.

No papel cartão selecionei os seguintes fragmentos para montar durante a cena:

– O varal, Assobio-lembrança, Altos bombons, “Eu sempre quis falar isso de verdade”, O chão, O teto, Mãe do Bacuri, “Minhas filhas não vão brincar de boneca”, Piscada Maria Clara, Olhos viajando, Mãe do Leandro dormindo –

*Fotos dos outros Roteirobjetos no diário do Kayo

Volta

Muita coisa aconteceu até eu estar aqui agora para soprar mais poeira nos olhos de quem aqui vem. De onde posso recomeçar? Do meio talvez possa ser interessante.

Na próxima segunda-feira estaremos completando 14 encontros da disciplina Trajetórias do Ser,eu e Maira apresentaremos nosso seminário. As aulas estão cada vez mais interessantes, os encontros estão rendendo boas discussões e levantam ideias inspiradoras e inquietantes. Os textos escolhidos pela professora Wlad borram, instigam e acrescentam a nós, alunos, olhares e pensamentos novos através do contato com autores como Lúcia Santaella e Kátia Canton.

Os desdobramentos que normalmente ocorrem no segundo momento da aula também apontam para um resultado interessante: estivemos exercitando durante essas semanas  vários exercícios: montamos uma coreografia com o nosso percurso desde a porta de casa até a hora de dormir, escolhemos uma música “invisível” para dançarmos essa coreografia, (vou tentar explicar melhor como funciona quando transcrever do caderno pra cá) contamos ‘causos’ do imaginário fantástico de nossas famílias, e outros que lembrarei em outras postagens. Os exercícios fizeram com que a turma se conhecesse um pouco mais através do desconforto de mostrar-se e deixar-se conhecer através de um pequeno fragmento de história da sua vida, família, memória e intimidade. Jogamos cada um, um grão de milho numa panela para virar noiva a cada aula. As noivas estão nervosas. Gosto de estar na panela.

Temos um roteiro-objeto pra apresentar na pr[oxima aula, mas já estou adiantando de mais os fatos, e por falar em adiantar João Guilherme e Silvano já não estão mais frequentando às aulas, todas. E Regiane desistiu da disciplina. Agora não adianta mais…

ps1.meu diário está em-cadernado, e assim que eu criar tempo vou poder transpor minhas anotações por aqui. Desculpem o desleixo.

ps2.hoje é aniversário da minha irmã, Sofia.

Até logo mais.

Enquanto isso

1

– Tanto mundo e eu mendigo descobri que minha casa é o mundo, sem ter idéia de quão fundo é o mundo, e quanto mais eu ponho mais cabe.
Feito um lixo que vem o carro do lixo e me recolhe o lixo para um lixão – o cheiro da casa do mendigo é chorume, cheiro de rua, porque a mãe dele nunca disse que esse cheiro é ruim, e neném quando não sabe, come e brinca com a merda.

2
É, é, é Fulaninha! Mas que silêncio mulher! Olha os carros andando na tua frente. Au! Au! Na tua fronte, fronte, fronte! Agora arruma essa cara! Porque já tem mais rua pra enxugar e a estrela completa não tem cinco pontas mas oito tabelas iniciais que rodam e pintam o tempo sem preocupação!

3

Caminham, portanto, mendigos – os vira-latas – como nós, pelos lugares abertos para pensamentos protegidos que deveriam na verdade ser o contrário: protegidos lugares para pensamentos abertos. O vira-lata vê tudo, mas ao final do dia sempre arranja uma casa para voltar, que seja lá onde for, protege da chuva, do frio e do dono.

Aula 01 (22-03-10)

23-03-10 

30-03-10

31-03-10 (02:20)

Cheguei na hora de começar. Sala 09. As cadeiras estavam dispostas em forma de um grande círculo, as paredes são pretas, há cortinas também pretas e manchadas grudadas com fita isolante na parede pra tapar as janelas de vidro texturado, o teto é branco com “murinhos” em linhas verticais e horizontais que se cruzam e lembram um tabuleiro com profundidade. Em algum canto deve ter teia-de-aranha. O chão é de taco: cada qual com seu marrom. Aparelhos eletrônicos e sonoros e uma tela de projeção estão no canto da sala, dois ar-condicionados no alto e há uma estante de metal encardido ao lado da porta, onde os alunos foram deixando as bagagens e se acomodando nas cadeiras. Alguns estavam com caderno e eu resolvi pegar o meu: já estava avisado há uns 300 e tantos dias de que seria importante tê-lo em mãos. Troquei de roupa, falei com alguns e sentei.

Wlad, nossa professora, estava sentada em uma das cadeiras e começou falando sobre algumas características dessa nossa disciplina inventada chamada “Trajetórias do ser”: um exercício de trocas de experiências que monta na bagagem dos alunos para galopar por dentro de cada um deles, observando de fora estando dentro, misturando grama com terra, formiga e órgãos genitais de animais instintos. Viveremos a nossa disciplina trazendo coisas nossas, externando impressões, debatendo idéias através de textos e seminários, e tecendo essa história que eu já vejo que vai ser outra coisa comparada com a do ano passado. “A diferença é o bicho”. Não tá mais aqui quem não passou.

A professora distribuiu umas apostilas do Plano de Desenvolvimento de Atividades Curriculares aos alunos (deixando claro que já estávamos devendo um real a ela pelas cópias tiradas) que tinha o esquema detalhado da disciplina no decorrer do semestre: seminários, desdobramentos de experimentações, ementas, objetivos, diretrizes, o que aqui vos fala diário de bordo e mais alguns textos que deveríamos terminar de ler em casa para maiores esclarecimentos sobre esse monstro todo, monstro simpático até. Mais um texto de revista que leríamos no final da aula. Diferente do ano passado em que os alunos não receberam nenhum material parecido com esse na primeira aula. Bom no sentido de dar um norte para os recém chegados, muitos que não conhecem o jeito de trabalhar da Wlad e que também não tem muita noção de por onde a coisa caminha nessa disciplina e muitas vezes no próprio curso. Aprimoramentos. Depois da leitura começamos a aula de fato.

Wlad nos pediu para que abríssemos mais o círculo, deixou uma cadeira vazia na esquerda e disse para irmos lá, podendo utilizá-la como quiséssemos, um a um para pormo-nos em cena, falar um pouco sobre nós e o que já sabiamos sobre teatro. Pensei logo em ir primeiro – essa historia do “já fiz isso”, nè?- mas um aluno também se levantou e num par ou ímpar decidimos nosso primeiro jogo em cena: ele ganhou, Renan.

Foi até a cadeira, pegou e a levou ao centro já falando: nome, idade, todo cheio de desenvoltura. É bom ter alguém pra começar. Ele disse se interessou pelo teatro na escola há mais ou menos um ano, que já atuou e até dirigiu um espetáculo. Terminou, deixou a cadeira no lugar. Depois fui eu, tentei falar pouco,e sobre o que eu já sabia sobre teatro disse que quase nada, num sentido mais sobre propriedade e entendimento teorico, mas que a minha relacao e mais instintiva, mais sensivel, etc. Acabei nao gostando e dizendo que queria dizer coisas mais interessantes (usei a palavra “legal” na verdade) essa coisa travosa da falta de articulacao nas ideias. Lembrei, depois de ter sentado as várias coisas que deveria ter dito mas que agora não me lembro. Adhara deu sequencia ao jogo, ela é a mais nova da turma e teve o primeiro contato com teatro no colègio assim como o Renan, disse que queria fazer um movimento de teatro diferente com o grupo da escola, e que todos continuavam a ver da mesma forma.

Wlad levantou uma questão: Olhamos para o teatro como olhamos as outras áreas? Disse que era como saber brincar: que se observamos um jogo, seja la qual for, logo o entendemos por que sabemos fazer isso, uma sensacao irreconhecivel, algo como isso. 

(faltam os outros)

Após a dinâmica, Wlad distribuiu por sorteio uns papeizinhos com datas: uns escritos com caneta azul, outros com preta. Eram as datas dos seminários que iremos apresentar durante o semestre. Ela pediu ao Romário (que cursa artes visuais) para escolher uma das cores para designar os expositores do tema, perguntou que cor ele achava que fazia mais sentido com “exposição”: ele escolheu azul, para minha alegria, e os outros ficaram com a função de comentadores. Os expositores irão destrinchar os textos para a turma e os comentadores irão relacionar os textos com alguma atividade artística da cidade. E a ordem de apresentações de seminários vai ser a seguinte:

Silvano e Patrícia, Rose e Ives, Jean e Regiane, Carmem e João Guilherme, Renan e Adhara, Mauricio e Ramon, Kayo e Rafael, Deivison e Felipe, Kátia e Caroline, Mayra e eu, Wallace e Delianne e por último Leandro e Paulo Ricardo.

O texto a ser trabalhado na próxima aula é do livro “Narrativas Enviesadas” de Katia Canton, e vai ser apresentado pelo Silvano e comentado pela Patrícia.

Seguimos com a leitura de revista que ela tinha nos dado no início da aula, o Rafael fez a leitura e os alunos de alemão ajudaram na pronúncia dos termos estrangeiros. Era um texto que tratava da exposição “Te iludo” do artista-escritor Fabio Morais (link). Se trata de obras que tem como mote testemunhos sobre a infância, cheia de vácuos que ele preenche com colagens de trabalhos artísticos que admira e que se soma com o olhar do espectador.

Partimos para a experimentação. Wlad chamou 4 pessoas para irem ao centro do círculo. Pediu que se deitassem no chão do jeito que eles ficam quando estão dormindo (posição 0) e  que escolhessem as frases que mais pulsaram no que eles disseram no primeiro jogo. Rose, Ramon, Ives e Renan. Ives escolheu “Eu sou psicopata”, Ramon “Teatro é vida”, Renan “Da qual eu me orgulho” e Rose “Sobrevivo de arte”. Wlad desdobrou o jogo pedindo para que eles passassem daquela posição 0 para uma posição de total desequilíbrio (posição 1).

Depois de tentar isso, ela pediu a eles que passassem da posição 0 para a 1 dizendo as frases escolhidas. Wlad abriu para os alunos meterem os dedos: de mudanças de velocidades nas falas (“eu sou p-si-co-PATA”) a jogos de palavras (“Da qual eu me orgulho, mergulho). Conversamos um pouco sobre a dinâmica e a aula terminou.

A primeira impressão é boa e muito minha: estou feliz de ver meu nome na lista de freqüência.

(ainda incompleto)